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11 de novembro 2011

Um relato sobre o último dia da Semana ARP da Comunicação - Indústria Criativa

Ontem, dia 10 de novembro, a Semana ARP da Comunicação encerrou com duas excelentes palestras no turno da tarde. 

Na primeira hora da tarde - às 14h, na verdade, tivemos a Fernanda Romano falando sobre "Criação nos tempos das mídias sociais". Muito longe de dar manual ou um passo a passo de "como criar para" ou "considerando" as mídias sociais, a Fernanda nos trouxe uma reflexão a respeito do que fazemos na comunicação e do que está acontecendo no mundo agora.

O papo da Fefa (assim que se apresentou) foi interessante pelos constantes "pop-ups" de ideias e pensamentos que ela tinha, tornando a conversa ágil e agradável, trazendo cases e situações para dar uma perspectiva maior ao assunto do que um passo a passo da criação. 

Após se apresentar e deixar todos morrendo de inveja das suas viagens e refeições nos últimos seis meses, a @FefaRomano levantou algumas questões que todos deveríamos refletir a respeito. Vou colocar abaixo o que peguei junto com minhas próprias reflexões. 

1. A escola "mata" a criatividade. Nós somos todos criativos, mas a inteligência não é linear. A criatividade não é uma fórmula de química a ser decorada, e justamente por isso, não existe um "manual de criatividade para mídias sociais". Levando isso em conta, creio que a primeira provocação da Fernanda para todos nós foi nos lembrar que falamos muito em criatividade, mas estamos constantemente seguindo fórmulas, seguindo os outros, seguindo exemplos e cases que já aconteceram quando deveríamos fazer o contrário!

Trabalhando com comunicação de forma criativamente, devemos buscar SER SEGUIDOS, e não seguir. 

2. O mundo mudou. Não é algo que irá acontecer amanhã, já aconteceu. Neste momento, a Fernanda levantou uma questão muito legal para exemplificar isto: o que irá acontecer quando você morrer? (sim, todos morreremos, aponta estudo).

Vá ao Google agora e digite o seu nome. Veja a sua timeline do Facebook ou do Twitter. Confira sua caixa de e-mails. Tudo isto continuará no ar mesmo após você morrer. 

Hoje, o Facebook já possui uma funcionalidade para transformar o perfil de alguém que faleceu em um memorial, e também já existem sites onde você pode guardar senhas e deixar mensagens para familiares caso você morra, como o If I Die.

No Japão, um homem casou com um personagem virtual do jogo Love Plus do Nintendo DS. E por mais estranho que isso pareça, não é algo que deveria surpreender quando descobrimos que o jogo é muito popular e que, segundo a Fernanda, já existem cidades oferecendo pacotes de turismo para quem quer viajar com sua namorada virtual. 

A questão aqui é que a nossa vida no cyberespaço é tão real quanto qualquer outra.  Para um jogador de MMORPG, como World of Warcraft, a experiência de ser um paladino da Aliança lutando contra dragões e trolls pode ser tão real quanto a nossa vida como publicitários, por exemplo. Qual é a diferença, afinal?

3. Assim, o que estamos discutindo não são ferramentas, mas a maneira como estamos pensando e nos comportando. 

A prioridade não pode ser pensar na ferramenta Facebook, na ferramenta Orkut, na ferramenta Twitter, na ferramenta iPad, iPhone 4GS, BlackBerry, e por aí vai. Deve ser pensar no que as pessoas estão fazendo e como elas estão fazendo. 

É claro que alguém deve saber lidar com as ferramentas, saber os detalhes técnicos, conhecê-las profundamente. O ponto é que esse não pode ser o norte da criação; as pessoas é que devem nos guiar.

Encerrando a palestra, a Fernanda comentou algo que resume isto: nós ainda pensamos nas tecnologias, mas para as crianças é algo transparente - o que me lembrou imediatamente deste vídeo.

Pois bem, e como criar nos tempos de mídias sociais?

Para a Fernanda, as empresas precisam parar de falar em amigos, fãs, consumidores. Marcas de sucesso terão sócios, e elas devem sempre respeitar, serem honestas, e comprometidas com os seus eles. 

 

As pessoas não entram em sites de redes sociais para conversar com um anúncio de revista, elas querem personalidade, elas querem conversar com outras pessoas. Portanto, a sua marca deve fazer isto também, e não apenas largar chavões publicitários. A sua marca deve ser honesta: NÃO MINTA para as pessoas, pois elas irão descobrir, sempre. E se comprometa com elas também, não espere uma relação em que apenas você ganha. Converse com elas, seja honesto, e faça algo a partir dessas conversas, seja ativo. 

Um belo exemplo disso foi a ação que tirou do limbo a marca Old Spice. A propaganda é genial, o vídeo foi sucesso absoluto na Internet. Mas por que parar ali? Por que não continuar a interagir com as pessoas e respondê-las? E foi isso que a marca fez respondendo com diversos vídeos, com a página no Facebook, o perfil no Twitter e outras ações seguintes. (mas tenha cuidado, você pode perder um bom tempo com eles =p)

Bem, certamente, eu não consegui trazer tudo o que a Fernanda apresentou, e também misturei com algumas reflexões minhas, mas creio que ainda é válido. Como este post já está bem grande, farei um novo para falar sobre o mindblow que o Jonathan Mildenhall, vice-presidente de marketing global estratégico e comunicação criativa da Coca-Cola, deu na plateia. Foi demais.

@augustoyoh

 

 

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